CRISE NA EUROPA – BRASIL, UMA REFERÊNCIA?


21/09/2011 às 18h02
Em entrevista, Rhodes, ex-vice-presidente do Banco Citigroup, diz que país é um bom exemplo a ser seguido pelos bancos e governos da Europa, dada a experiência brasileira em superação de crises.

Em entrevista à Agência Estado, William Rhodes diz que União Europeia deve se inspirar nos exemplos brasileiros de superação de crises financeiras. A Europa, um dos berços econômicos mundiais, vive sucessivas crises com o endividamento dos governos da Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália. Ainda que sejam alguns países, o problema reflete em todo o mercado europeu pelo fato de os governos terem aderido à U.E. Com isso, o sistema financeiro também ficou unificado, proporcionando a unificação da moeda em território europeu (o Euro – somente o Reino Unido não tem o Euro como moeda oficial). Daí a crise refletir em toda a Europa.
O mais interessante disso é que Estados Unidos e Europa, nas décadas em que o Brasil vivera períodos de superinflação, determinava que o país tomasse medidas e metas para a redução de gastos com a máquina pública e de ter um sistema financeiro mais sólido. Ironia do destino, ou não, os estadunidenses e europeus estão no centro das maiores crises financeiras das últimas décadas.

Em 2008, os Estados Unidos mostraram sua fragilidade econômica – o sistema bancário entrou em colapso com a crise imobiliária que devastou os mercados nacional e internacional. Além disso, até agora, a mais forte e consolidada economia ainda não conseguiu se recuperar efetivamente. Taxas de desemprego em torno dos 5%, singela criação de empregos, entre outros fatores, denotam que a crise de 2008 ainda está muito presente no cotidiano da economia e vida dos estadunidenses. Isso causou (e tem gerado) grandes temores na economia global, sobretudo quando a agência Standard and Poor’s baixaram a nota de confiança dos Estados Unidos pela primeira vez (de AAA para AA+) em agosto deste ano.

Desde então, diversos problemas estão cercando a economia mundial, fazendo com que os mercados tenham certo grau de desaceleração econômica. Somado a esses temores sobre a economia mais sólida do mundo, a União Europeia, desde 2008, enfrenta problemas financeiros. A situação é mais crítica a cada dia, e o FMI (Fundo Monetário Internacional) ressalta a importância de os bancos aumentarem suas reservas sob o risco de quebra de algumas economias. “Os riscos são elevados e o tempo está se esgotando para enfrentar as vulnerabilidades que ameaçam o sistema financeiro global e a recuperação econômica em curso”, é o que ressalta o relatório do FMI. Segundo o site da Folha de São Paulo, as perdas potenciais somam 200 bilhões de euros (200.000.000.000€).

Ainda, em seu relatório, o FMI diz que o mercado brasileiro deve ter muita atenção para o risco da bolha de crédito e o rápido crescimento poderem levar a problemas futuros. O relatório diz que alguns mercados emergentes, que incluem o Brasil e a Turquia, a qualidade de crédito parece ser forte na superfície, mas o rápido crescimento do crédito doméstico –especialmente no mercado imobiliário– representam um desafio-chave à estabilidade futura.

Mas, verdade seja dita. Mesmo após uma crise devastadora, que levou a importantes economias às atuais condições de crise, o Brasil se manteve aquecido. O brasileiro passou pela crise com sua economia aquecida. Houve níveis de desemprego, mas, em outros tempos, com a economia mais volátil (o que era observado nas décadas de 80 e 90 – superinflação, fragilidade econômica, entre outros fatores), o desastre seria muito maior. Diferentemente dos cenários anteriores, o Brasil não possuía uma moeda estável (o Real está prestes a completar 20 anos – antes, as mudanças de moeda eram constantes) e o mercado interno comprava mais artigos importados (hoje, o país exporta mais do que antes e importa menos, proporcionalmente). Em plena crise, o país anunciou uma série de medidas de renúncia fiscal – da mesma maneira que outros países, inclusive os europeus –, mas o volume de investimentos e a solidificação do sistema financeiro brasileiro corroboraram para uma posição mais firme no cenário econômico global.

Segundo Rhodes, o Brasil pode ensinar muito aos países em crise, pois aplicou mudanças práticas no sistema econômico e financeiro. As mudanças para novas perspectivas e para um fortalecimento qualitativo levaram o país a novas possibilidades econômicas.

O que retirou o Brasil da moratória foi o plano em duas frentes concebido na gestão do e então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. Primeiro, houve acordo com os bancos e, do lado dos credores, eu representei os bancos e ele obviamente representou o Brasil.
Além disso havia um time de brasileiros, não do FMI ou outro conselho externo, que elaborou o Plano Real, estabilizou a economia e controlou a hiperinflação. Cardoso se tornou presidente por dois mandatos, [Luiz Inácio] Lula da Silva veio depois com seu programa de reformas e [Antonio] Palocci e agora nós temos Dilma [Rousseff]. O Brasil nunca parou desde então
 – disse Rhodes, que não descarta de a Grécia decretar moratória, em entrevista à Agência Estado, publicado no Blog de Cláudia Trevisan.

POR:
>>>IGOR DIAS

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2 pensamentos sobre “CRISE NA EUROPA – BRASIL, UMA REFERÊNCIA?

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