O BRASIL NO CENTRO DAS ATENÇÕES EM MEIO À CRISE DOS ESTADOS UNIDOS E DA EUROPA


29/09/2011 às 17h29
Mesmo num cenário tão conturbado, o Brasil consegue destaque graças às políticas econômicas adotadas e ao crescimento da economia, atraindo muitos estrangeiros que tentam fugir dos centros da crise financeira. Mas, agora, não como turistas, mas como residentes e trabalhadores.

Não mais turistas, mas moradores

Que o Brasil é um país atrativo e muito receptivo, todos, sem exceção, já sabem. Talvez, o que nem todos saibam é o quão atrativo o mercado de trabalho tem sido para diversos estrangeiros. Nos últimos vinte anos, segundo o New York Times, um dos maiores jornais dos Estados Unidos, a oferta de emprego para estrangeiros em solo brasileiro tem crescido em cifras, no mínimo, mais do que convincentes. Segundo o jornal, em sua v

ersão eletrônica, a oferta de trabalho para cidadãos de outra nacionalidade cresceu 144%, colocando o país em destaque no cenário internacional, sobretudo no momento em que os olhos do mundo se voltam às economias da Europa e dos Estados Unidos com grande preocupação.
Quando chegam aqui, ressalta a reportagem, que o desafio é imensamente grande. Isso porque há filas de espera para colégios específicos (escolas especializadas e capacitadas em receber alunos estrangeiros). Mas os desafios não se restringem somente a isto. Quando aqui chegam, muitos percebem a discrepância entre o mercado externo, em crise, e o interno, que tem tentado não se aquecer acima do que pode suportar sem prejuízos à economia brasileira.

Mas um dado chama a atenção em todo o cenário econômico: o Brasil é, hoje, um dos maiores credores dos Estados Unidos. Isso acontece porque o governo brasileiro é um dos maiores compradores dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos. E, se a economia estadunidense não mostrar sinais de melhora, isso poderá se tornar um grande problema para o governo e para a economia brasileira.

Contudo, o sucesso do crescimento econômico no Brasil não se dá apenas por razões de mercado internacional, em crise (basicamente, desde 2008, quando o mercado imobiliário americano mostra ao mundo a maior crise financeira deste século), mas pelo aquecimento que sua economia tem experimentado há alguns anos. Esse mercado interno também conta com fatores sociais extremamente favoráveis, e, sem dúvida, a expansão da classe média corroborou e muito neste novo ciclo econômico brasileiro (gerando, por exemplo, em 2010, um crescimento de 7,5% no PIB – e, como muito bem salienta a reportagem do New York Times, com previsão de crescimento de 4% para este ano, índice ainda invejável aos Estados Unidos).

Outra grande diferença que, de alguma forma, causa estranheza aos estrangeiros é a famosa burocracia brasileira. Os trâmites burocráticos, entre eles, segundo a matéria, a morosidade na obtenção do visto de trabalho, é um grande desafio a ser vencido por aqueles que tentam adentrar o território do Brasil. Apesar disto, dados do Ministério do Trabalho mostram que houve um crescimento de 30% na expedição de autorização de permanência para trabalho em solo brasileiro.

Mas porque o mercado interno é quase imune à crise européia e estadunidense? Talvez seja pelos preparativos dos eventos internacionais dos quais o Brasil será palco: Copa do Mundo de 2014 e, em 2016, os Jogos Olímpicos, cuja sede é a cidade do Rio de Janeiro. De fato, pode ter contribuição destes eventos, mas não é o único motivo, como aponta o texto de Simon Romero. O mercado imobiliário na cidade do Rio está em crescimento dada a pouca oferta para os eventos em que será sede, mas, numa análise mais ampla e globalizada da economia, percebe-se que este crescimento se deve às obras de infra-estrutura e ao crescimento de poder econômico proporcionado pela ascensão social observada desde o surgimento do Real em 1994 (antes, o país mudava de moedas diversas vezes, tinha uma inflação gigantesca – com índices de mais de 100% ao dia – e, ainda, foi arrasado por um período ditatorial ferrenho, no qual diversos presos políticos foram torturados, mortos ou expulsos – entre 1964 e 1985) – e que, no país, tem sido denominada como a “nova classe média”.

Em São Paulo, maior e mais rica cidade da América Latina, esse crescimento econômico é evidente, sobretudo na construção civil e na prestação de serviços, além, é claro, nas obras de infra-estrutura, algumas iniciadas antes mesmo do anúncio de que o país seria sede da Copa do Mundo (2014 – a cidade é uma das sedes oficiais do evento organizado pela FIFA), como é o caso do Plano de Expansão do Metrô, iniciado em 2007.

Mas esse crescimento não está ligado apenas a esses fatores. A costa brasileira, após a descoberta de petróleo, tornou-se mais atrativa do que já era. Antes, os adventícios vinham ao Brasil para “curtir” as belas praias brasileiras; agora, veem nelas a oportunidade de aumento realmente significativo proporcionado pelo “ouro negro”. Ainda que o Brasil conte com muitos estadunidenses, as descobertas do Pré-sal também atraem muitos filipinos. Mas por que isso acontece? O país necessita de uma quantidade muito grande de mão-de-obra bem qualificada e isso, devido à grande deficiência educacional, tem proporcionado a entrada de diversos cidadãos de outras nações. Segundo o NYTimes, o país necessita de 60 mil engenheiros, aproximadamente, mas o sistema educacional não consegue suprir tal necessidade.

“Eu me mudei de Pequim há um ano e encontrei um incrível potencial para desenvolvimento profissional. E já estou planejando estender o meu tempo aqui ainda nesta década”, disse Cynthia Yuanxiu Zhang (27 anos, chinesa, gerente de uma empresa tecnológica) ao NY Times.

POR
>>>IGOR DIAS

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2 pensamentos sobre “O BRASIL NO CENTRO DAS ATENÇÕES EM MEIO À CRISE DOS ESTADOS UNIDOS E DA EUROPA

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