OBESIDADE, DIETA E CIA.


A obesidade é uma das doenças mais comuns no século XXI. Contudo, decisão da Anvisa pode pôr em xeque seu tratamento.

Obesidade

Ser o gordinho da turma. Quem nunca vivenciou isso em sua vida não sabe dizer o quão terrível é essa experiência. Doces, salgados, perfeitas combinações que envolvem o paladar, mas que podem causar prejuízos à saúde de qualquer pessoa, ainda mais quando se trata de pessoas cuja predisposição genética leva ao ganho de peso.

Os Estados Unidos vivenciam há anos um cenário muito preocupante, proporcionado pela febre do fast-food, uma das invenções estadunidenses mais difundidas para todo o mundo. Estatisticamente, o país é o país mais obeso de todo o mundo.

Mas, ao contrário do muitos pensam, não são apenas eles que estão ganhando neste ranking. O Brasil já figura entre os grandes vitoriosos “de peso”. A cada novo ano, o país vem adquirindo milhares de obesos e essa estatística vem se tornando preocupante ao poder público, sendo, por algumas unidades federativas, considerado um grande problema de saúde pública. No Estado de São Paulo, por exemplo, o governo proibiu a venda de alimentos fritos nas escolas, e essa regra vale para todas as unidades escolares do estado (seja de administração pública ou privada). As autoridades estaduais fizeram isso com o objetivo de combater a obesidade infantil, tão comum entre os brasileiros.

A obesidade é, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma doença. Ela pode vir associada por outras doenças como o diabetes e problemas relacionados ao coração, como a hipertensão arterial e as altas taxas de colesterol. E se engana quem pensar que isso só acomete aos adultos, pois é cada vez mais frequente o número de crianças e adolescentes acometidos por essas doenças.

A geração fast-food

Que São Paulo é conhecida como a cidade que não para, isso todos já sabem, mas como será a relação entre essa realidade e a alimentação de seus cidadãos? Com toda a certeza é conturbada, pois, como a vida na cidade sugere, o tempo é escasso demais. E isso também se reflete no cotidiano e na alimentação de cada morador. Mas, apesar disso, a cidade, mesmo com os altos índices de pessoas obesas, não figura como a maior cidade obesa do país. Contudo, os fast-foods são moda na capital paulista, sobretudo em shoppings da cidade, dada a rapidez exigida pela vida dinâmica da cidade que não para.

E esta é, sem dúvida, a maior exigência pertinente ao mundo fast-food: a agilidade. Enquanto uma refeição deve ser feita, em média, num período de trinta minutos (refeição completa), muitos moradores e trabalhadores das grandes cidades sequer conseguem sentar 15 minutos para isso. Essas pessoas, infelizmente, além de se alimentar mal com uma dieta hipercalórica e rica em gorduras, não mastigam o alimento de maneira adequada, e isso acaba colaborando muito com os quadros de obesidade. Esse é um dos reflexos da geração fast-food, embora pareça simples e insignificante para muitos.

Combate à obesidade

É interessante como o controle de peso é algo extremamente complexo entre os obesos. Alguns desses pacientes conseguem emagrecimento por meio de dietas e um programa de exercícios físicos, mas muitos desses pacientes não. O número de obesos no país está aumentando e causando muitas preocupações às autoridades brasileiras. Segundo um estudo do IBGE, 30% das crianças entre 5 e 9 anos está acima do peso. Mas isso não acaba por aí, pois, ainda segundo este estudo, 20% de adolescentes entre 10 e 19 anos também estão acima do peso. E, entre a população acima dos 20 anos, 48% são mulheres e 51% são homens. Entre os 20% de pessoas mais ricas, o excesso de peso é de mais de 60%; desses, 16,9% são obesos (independentemente do grau de obesidade, que é de 1 a 3).

Para combater isso, diversos medicamentos foram lançados pelas indústrias farmacêuticas, remédios como femproporex, sibutramina e outros. Contudo, o combate com o os medicamentos chamados de emagrecedores estão ganhando notoriedade. Hoje, a Anvisa, uma das controladoras das permissões e reguladoras, proibiu a comercialização de alguns desses medicamentos e dificultou ainda mais a comercialização da Sibutramina. Agora, pelas novas regras, os médicos, além de prescrever uma receita B2 (criada justamente para maior controle da Anvisa), deverá, juntamente com o paciente, assinar um termo dizendo ter ciência quanto aos benefícios e riscos do medicamento. Mas está não á única novidade, pois as farmácias em que os medicamentos estão sendo comercializados deverão emitir relatórios sobre possíveis reações adversas causadas pela Sibutramina.

Apesar dessa proibição parcial, o governo não deixa claro como será feito o combate à obesidade no Brasil e isso, por si só, é deveras preocupante. Muitos casos de obesidade são tratáveis com reeducação alimentar, mas há casos em que os pacientes não conseguem, pelo famoso método da dieta e exercícios físicos. Há pessoas que até gostariam de ter, em sua rotina, a possibilidade da prática de exercícios, mas, dada a falta de horários, proporcionadas por uma agenda cheia de compromissos, essa chance é pequena; ou, em outras palavras, as pessoas com obesidade nem sempre conseguem chegar à prática de esportes ou quaisquer exercícios físicos. Também existem obesos que adorariam conseguir reduzir a quantidade de alimentos consumidos ao longo do dia, porém, nem sempre, isso ocorre. Com esse insucesso, outros fatores acabam intensificando o processo de obesidade, originadas pela frustração vivenciada pelo obeso.

Todo obeso conhece e reconhece os benefícios proporcionados pela redução de peso. E, justamente por isso, cabe a reflexão sobre as alternativas para o tratamento de obesos. Uma das medidas é justamente a prevenção, com campanhas educativas a serem aplicadas às futuras gerações, de forma que, ao menos, haja a diminuição dos índices de obesidade no país. Mas, esse plano, só será visto noutro período, talvez em um prazo médio. Todavia, faz-se necessário algo mais emergencial, em que os frutos sejam vistos em pouco tempo.

Obesidade nunca mais?

Muitos obesos conseguiram se livrar dessa cruz. Entre eles, há diversos casos em que esses obesos fizeram uso de medicamentos inibidores de apetite. Outros, por sua vez, optaram por outros mecanismos até mais arriscados ou mais radicais, por meio da cirurgia de redução do estômago (gastroplastia).

Hoje, as cirurgias de redução de estômago estão cada vez mais populares, sendo recomendadas pelos médicos em casos extremos de obesidade, cujo índice de massa corporal chega a ultrapassar, num adulto, a 50 (IMC > 50). Obesos com tal índice são denominados como super-obesos e chegam a correr riscos muito maiores do que um obeso mórbido, por exemplo, chegando a ter uma expectativa de vida 20% menor do que um indivíduo normal. “Os problemas não param por aí, quando não tratada adequadamente, a obesidade mórbida é uma das doenças que mata um contingente significativo de pessoas. Um estudo realizado na Suécia por uma década, de 1992 a 2002, pelo Instituto Nacional de Obesidade da Suécia constatou que o índice de mortalidade no grupo de obesos que não foi submetido a cirurgia de estômago foi nove vezes maior do que no grupo de obesos operados. A cirurgia hoje é um consenso médico” – diz Sizenando Ernesto de Lima Júnior, médico-coordenador do Núcleo Paulista de Obesidade.

Índice de Massa Corporal

OMS - Organização Mundial da Saúde

Talvez, com o veto à prescrição de medicamentos inibidores de apetite, o número de pacientes que procuram pela cirurgia bariátrica aumente significativamente – e olhe que este índice já é bem elevado, com filas de espera que duram longos meses tanto no SUS quanto para convênios.

Hoje, a opção cirúrgica é indicada para obesos com IMC superior a 40 (obesidade mórbida e super-obesidade). Todavia, há casos em que os cirurgiões também prescrevem essa via: se o paciente obeso tiver índice igual ou superior a 35 e doenças relacionadas à obesidade, como diabetes em que haja o uso de insulina (em doses muito altas) e hipertensão arterial. Nesses casos, o médico poderá sugerir a redução de estômago, logicamente, analisando cada caso de forma específica, levando-se em conta o histórico médico de cada paciente.

Assim, resta saber da Anvisa sobre quais alternativas serão disponibilizadas aos obesos para o tratamento desta patologia, tão presente e comum na sociedade do século XXI.

POR:
>>>IGOR DIAS

–Links Interessantes:
Índice de Brasileiros acima do Peso

>>Notícias:
G1 | Proibição da sibutramina voltará a ser debatida em 1 ano, diz Anvisa
AE | Anvisa libera sibutramina e proíbe outros emagrecedores
Folha | Anvisa mantém sibutramina, mas proíbe outros emagrecedores

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4 pensamentos sobre “OBESIDADE, DIETA E CIA.

  1. É terrível, mesmo ser gordo, eu quem o diga.
    Depois da gravidez, vi que estava nada mais, nada menos do que 27 quilos acima do meu peso. O pior não é só isso, é como as pessoas te olham e te tratam. Pra mim foi terrível, mas graças a Deus dei a volta por cima. Do inicio do ano até agora já emagreci 25 quilos, sem remédio e sem dieta, só com força de vontade, reeducação alimentar e exercícios.Com força de vontade se consegue tudo.

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  2. Pingback: GRIPE A VOLTA A ASSUSTAR BRASILEIROS « BlogNews

  3. Obesidade é um problema serissimo e de dificil controle sei porque sou obesa e luto diariamente com isso e extenuante. So mesmo uma cirurgia bariátrica é que poderia dar resoltado e não posso fazer porque sou portadora de transtôrno bi-polar se ciclagem rápida mas ainda resta o procedimento do “balão’ via endoscopia mas também é caro e meu convenio não cobre esse procedimento vou ter que ffazer ecomimia para pagar o tal “balão” só Deus sabe quando conseguirei é minha ultima esperança.

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