OS DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL


11/10/2011 | 16h06
Entre os grandes desafios do século XXI, está, sem dúvida, o desenvolvimento econômico sustentável. O difícil é convencer as principais economias globais para essa questão.

É difícil para muitos brasileiros entender os conceitos de sustentabilidade econômica. E isso não é porque o brasileiro seja ignorante em muitos aspectos, faltando-lhe a educação formal necessária. Isso se deve por uma questão até cultural, pois, ao longo de anos, todos aprenderam algo que, hoje, se sabe não ser verdade: a de que os recursos naturais seriam renováveis. De fato, o mundo tem recursos incalculáveis, contudo, para o pavor geral, tais recursos estão se esgotando.

Mas, para se iniciar qualquer conceituação, deve-se saber a significação de sustentabilidade. Sustentável, segundo o dicionário Houaiss de Língua Portuguesa, é aquilo que pode ser sustentado, passível de sustentação. A partir desta ideia, pode-se melhor analisar o que vem a ser desenvolvimento sustentável. Diz-se, assim, que desenvolvimento sustentável é aquele que proporcione, além de desenvolvimento, condições de todos, da geração atual e futura, desfrutar de seus benefícios, atendendo às necessidades atuais e das futuras gerações.

Ao longo dos anos, muitas economias se desenvolveram sob o prisma de que os recursos naturais (entre eles a água) seriam renováveis, mas, passados alguns anos, ainda no século XX, constatou-se que essa ideia, na verdade, era enganosa. O interessante nisto tudo, é que o Homem passa a sofrer os efeitos de um desenvolvimento desenfreado; mas, nem sempre, os efeitos são positivos. Tempestades, tremores de terra, tufões e furacões destruindo milhares de casas em diversos países, entre outros transtornos ocorridos ao longo dos anos, mostram que esse desenvolvimento das grandes economias está agredindo fortemente ao meio-ambiente global. Como consequência, o clima na Terra tem mudado de forma drástica.

Ao verificar isso tudo, parece algo tão distante, não é mesmo? Engano, pois essas questões, além de afetar a cada cidadão, são de responsabilidade de cada membro da sociedade. Práticas simples, corriqueiras, podem mudar o cenário global. De fato, uma única andorinha não faz verão, mas, se cada uma tiver a consciência de que suas práticas podem gerar melhores condições de vida para si próprias e/ou para outras pessoas, não será apenas uma, mas várias andorinhas.

Em casa, no escritório e nas ruas, as práticas não podem deixar de existir. Um bom exemplo a citar é a prática de se separar o lixo reciclável do lixo orgânico, proporcionando a coleta seletiva. Essa é uma grande alternativa encontrada para a diminuição da produção de lixo, pois, além de reaproveitar artigos que podem ser usados novamente (como plásticos, vidros, entre outros objetos), gera reflexos econômicos pela economia de energia e pela venda/revenda desses materiais.

RECICLAGEM

A reciclagem está proporcionando desenvolvimento com economia de recursos. Talvez você pense: Mas como isso é possível se os materiais recicláveis chegam a ser mais caros? É simples. Ao reciclar, não se usa a mesma quantidade de energia da matriz energética, mas somente uma parte dela. E, em alguns casos, o uso é tão pequeno que se torna quase insignificante. Com essa economia, o impacto ambiental diminui, mas os custos de processamento da matéria-prima aumentam. Isso porque se buscam novas maneiras de se recuperar os materiais, primando por tecnologias que usem o mínimo de matriz energética para tentar a redução dos impactos no meio-ambiente.

Mas, infelizmente, o Brasil não tem obtido o sucesso que deveria. Dados da Secretaria de Desenvolvimento Urbano mostram que somente 18% dos mais de 5 mil municípios brasileiros têm alguma proposta para reciclar o lixo produzido por seus cidadãos. Muitas dessas cidades sequer conseguem alcançar 2% de materiais reciclados. Até mesmo a maior e mais rica cidade da América Latina consegue atingir índices significativos quando o assunto é reciclagem. Segundo a Prefeitura de São Paulo, a cidade recicla apenas 7% do lixo coletado. Este índice é inexpressivo, dada a quantidade diária de lixo produzida pela cidade (mais de 20 mil toneladas/dia). Ainda que com índices tão alarmantes, algumas cidades se mostram exemplares quando o assunto é a coleta seletiva; entre elas, Curitiba e Londrina. As duas cidades já conseguem reciclar 100% das matérias-primas recicláveis. E como isso foi possível? Por meio da educação e da criação de políticas públicas incentivadoras à ação de reciclar.

O QUE FAZER?

Engana-se quem pensa que a reciclagem é a única forma de gerar um desenvolvimento de forma sustentável. De fato, a reciclagem é de grande importância, mas não é a única maneira de conseguir desenvolvimento econômico com o mínimo de agressão ao meio-ambiente. Outras maneiras estão neste universo: não jogar lixo em vias públicas, preservar a fauna e flora, não construir em áreas de mananciais, reduzir a emissão de gases do efeito estufa…

Só para ilustrar, pegue as maiores cidades do país e do mundo. Numa análise preliminar, verificam-se grandes e significativas diferenças entre elas. A Cidade do México, por exemplo, uma das maiores metrópoles do mundo, tem conseguido diminuir, por exemplo, a emissão de gases poluentes com a implantação de políticas públicas para o uso de transporte público eficiente (além, é claro, de legislação própria para exigir de indústrias a diminuição da poluição por meio da implantação de filtros em suas chaminés). Essa cidade já foi considerada a cidade mais poluída do mundo, hoje, ela tenta afastar este fantasma.

Outra importante maneira de combater os impactos ambientais está na luta contra a derrubada indiscriminada de árvores. Com a possibilidade proporcionada pelo reflorestamento, milhares de árvores deixam de ser cortadas, pois há controle sobre o que será trabalhado (neste caso, somente uma determinada área é que existirá o corte dessas árvores).

Além de proteger as matas e emitir menos gases poluentes, a preservação dos mananciais é, sem dúvida, uma questão a ser tratada com maior seriedade por todos. Ainda que a Terra seja conhecida como “Planeta Água”, pouco se pode consumir dessa água: cerca de 3% de toda a água do mundo é potável. Infelizmente, o que se vê é o total descaso de empresas, habitantes e alguns governantes com o tratamento do esgoto.

TRANSPORTE PÚBLICO, TRÂNSITO e AQUECIMENTO GLOBAL

A cada novo dia, é interessante ver os índices de congestionamentos nas maiores cidades do Brasil. Mas nenhum consegue se equiparar aos de São Paulo. A cidade registra índices drásticos, chegando às centenas de quilômetros. Com tais índices, muitos são os transtornos à saúde de cada cidadão, o que tem gerado muitos gastos e prejuízos ao SUS, ao meio-ambiente, entre outros.

 Mas o problema de locomoção dentro da cidade de São Paulo não é novidade. A cidade cresce, mas suas propostas para locomoção estão, a cada novo dia, voltadas ao particular, isto é, não há políticas efetivas visando a melhoria do transporte público dentro da cidade. Uma boa alternativa, o Metrô, ainda que esteja em projeto de expansão de linhas/serviços, não consegue atender às necessidades existentes. E ainda tem mais um fator alarmante a ser trazido à reflexão: o metrô está perdendo sua eficiência devido ao grande número de usuários e pelo não (ou pelo pouco) investimento existente.

Esse cenário fica mais nítido quando se observa a Linha Leste-Oeste (linha 3 – Corinthians-Itaquera – Palmeiras-Barra Funda). Esta linha liga a região mais populosa da cidade ao centro e à Zona Oeste. Não é preciso muito para se perceber os problemas oriundos da falta de investimento público no metrô. Todos os dias, milhares de usuários ficam exprimidos, viajando com total falta de conforto nos trens que, além disso, estão cada vez mais lentos por pararem entre as estações. Uma viagem entre a estação Corinthians-Itaquera e o centro chega, em alguns casos, segundo usuários, a durar entre 60 e 90 minutos nos horários de pico. Para estes usuários, o que falta é criar outra linha de metrô ligando a Zona Leste ao centro, objetivando desafogar o tráfego de pessoas na Linha 3, diminuindo, assim, a lotação de passageiros.

Segundo a Cia. do Metropolitano, o investimento no metrô de São Paulo só tem sua fonte nos investimentos do Governo do Estado, não tendo ajuda do Governo Federal. E, para contribuir com todo o cenário, não existem projetos efetivos que sugiram melhoria no sistema de transporte público da cidade de SP. É incrível que, mesmo perdendo milhões de reais decorrentes dos problemas ligados à mobilidade do cidadão paulistano, a cidade não pense e coloque em prática algum plano para a melhoria do transporte público. Meio este utilizado por cerca de 4,5 milhões de pessoas (ou, em índices percentuais, menos de 50% da população da cidade – estima-se que SP tenha 11,4 milhões pelo IBGE).

No último dia 15, o Governo do Estado de São Paulo e a direção do Metrô inauguraram duas estações da linha 4. E, ainda, segundo a Agência Estado, haveria, pelo plano Expansão SP, a divulgação de ampliação do sistema metroviário, que passaria a ter estações nas regiões de algumas rodovias, com o objetivo de diminuir o tráfego de veículos dentro da capital. As Rodovias Bandeirantes, Régis Bittencourt, Fernão Dias, Dutra, Raposo Tavares e Anhanguera, entre 2020 e 2030, ganhariam, segundo o Estadão, estações com estacionamento para carros. Ainda segundo a agência de notícias, no plano de expansão do Metrô de SP, estaria prevista a construção de outra linha na Zona Leste, ligando os bairros de S. Miguel ao Pari (ambos localizados na Zona Leste – Linha 23: Preta; além de prolongamentos da linha 6 – Laranja – até Cidade Líder; e da linha 2 – Verde – até Cidade Tiradentes), ainda sem previsão de início e término das obras.

Outra questão bem apontada na cidade de São Paulo é o aumento na quantidade de linhas de ônibus. Ainda que o ônibus seja um veículo mais poluidor do que o carro, ele transporta cerca de 8 vezes mais pessoas. Assim, pela comparação, levando em consideração os diversos aspectos existentes, os ônibus acabam se tornando relativamente menos poluidores. Mas o problema é que eles estão ineficientes, pois são muitos usuários para a quantidade de passageiros (isso te parece familiar?). Além disso, as linhas são muito longas de forma a atender a maior quantidade de pessoas possível (e, som esse atendimento, as linhas têm percursos maiores e mais demorados). E, por falar na demora, esta está sendo a principal reclamação dos usuários do transporte público na cidade.

Mas… qual a relação entre o transporte público e o desenvolvimento sustentável – esta deve ser tua pergunta, caro leitor. Toda. Com a diminuição de emissão dos gases poluentes, causadores do efeito estufa, há a melhoria nas questões climáticas. Segundo estimativas, a temperatura terrestre subiu entre 2ºC e 3ºC nos últimos anos. E isso é, no mínimo, preocupante.

Em entrevista à Agência Reuters, Debbi Hemming, pesquisadora, diz que as temperaturas globais devem subir 4 graus Celsius até meados da década de 2050, caso sejam mantidas as atuais tendências de emissões de gases do efeito estufa, segundo um estudo publicado na segunda-feira, 28, pelo Centro Hadley do Departamento Meteorológico da Grã-Bretanha.

Essa previsão está em conformidade com o relatório da ONU, e as mudanças climáticas estão superando as piores previsões de 2007 do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC).

Muitos são os meios de se tentar diminuir os reflexos da poluição, mas, a cada ano, os índices de emissão de CO2 aumentam a cada ano. E, para diminuir esses índices, um consenso há entre cientistas e políticos: redução de gases poluentes por indústrias e meios sustentáveis efetivos de locomoção à população – ou, aumento significativo de investimento em transporte público, de forma a reduzir a quantidade de veículos motorizados nas ruas, além de combustíveis menos poluentes (mudança das matrizes energéticas atuais, primando por combustíveis “limpos”.

MATRIZES ENERGÉTICAS

EletroBras

Fonte: Eletrobrás

As atuais matrizes energéticas ainda estão, em grande escala, baseadas no petróleo, principal matriz energética de veículos e das mais diversas empresas/indústrias. Essa matriz é uma das mais poluentes, além de uma das mais nocivas à atmosfera, pois é a principal emissora de dióxido de carbono (CO2).

Essa questão das matrizes energéticas tem causado grandes discussões em fóruns internacionais. Isso porque muitos países se recusam em mudar suas matrizes, continuando com energias sujas. Ainda que de maneira tímida, vários países estão aderindo às novas fontes energéticas com o intuito de combater o aquecimento global e diminuir a emissão de CO2 na atmosfera.

Inserido neste espaço de busca por novas fontes de energia, o Brasil tem tido grande destaque no cenário internacional. O país tem investido maciçamente em novas tecnologias e descoberto novas maneiras de obter energias limpas (em alguns casos limpas e renováveis). Entre essas fontes, estão o etanol (combustível à base de cana-de-açúcar que reduz a emissão de gases causadores do efeito estufa), a geração de energia elétrica com base na força dos ventos (energia eólica) e, de maneira mais bem divulgada nos últimos anos, o chamado biodiesel (combustível extraído da soja). Contudo, pelas derrubadas e queimadas nas florestas, além das carvoarias clandestinas, o país ainda é um dos grandes poluidores globais.

O interessante é que, apesar de o Brasil ser um dos principais emissores de CO2, sua pluralidade de matrizes acaba conferindo ao país esse grande destaque internacional. Como se vê, o Brasil tem mais de 40% de sua matriz energética renovável, contra pouco mais de 10% dos demais países do mundo segundo a MME/BEN – dados de 2006.

ENERGIA NUCLEAR, UMA FONTE RENOVÁVEL?

Recentemente, o mundo assistiu perplexo a uma das maiores catástrofes em solo Japonês. A região de Fukushima (a norte de Tóquio) foi, além de desolada por um terremoto, por um desastre nuclear. O terremoto que assolou a região destruiu a Usina Nuclear da cidade e espalhou radiação nas regiões próximas e, ainda, chegou a assustar diversos lugares longínquos (entre eles os Estados Unidos, a centenas de quilômetros do território japonês).

Esse acidente nuclear suscitou a discussão de se essa fonte energética era realmente necessária, pois houve o terror generalizado de acontecer o mesmo que ocorreu em Chernobyl (Ucrânia) na década de 1980 (o acidente ainda mostra suas complicações, mesmo depois de 25 anos – 26 de abril de 1986). Países que usam a energia nuclear já pensam em, ao menos, reduzir os investimentos nessas matrizes, ainda mais neste ano, por ocasião do acidente nuclear japonês.

Na contramão deste processo, o Brasil insiste em construir, em Angra dos Reis, município localizado no Estado do Rio de Janeiro, mais usinas nucleares, entre elas, Angra 3. Trata-se do programa de enriquecimento de urânio para gerar energia elétrica. Segundo a Folha de São Paulo (na Internet), o país inicia discussão para implantar quatro usinas nucleares.

“Não vimos problema algum. Aquilo que aconteceu no Japão foi causado por um tsunami, por catástrofe natural”, disse o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

O país consome menos de 3% deste tipo de energia, mas quer ampliar a oferta dessa matriz justamente quando o mundo inteiro está pensando em abolir ou reduzir o uso da tecnologia que gera a energia nuclear com enriquecimento de urânio.

Por:
>>Igor Dias

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2 pensamentos sobre “OS DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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