ITAQUERÃO: ESPERANÇA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NA ZONA LESTE


20/10/2011 |  19h08
Após anos, Zona Leste pode ter processo de valorização e desenvolvimento econômico gerados pela construção do Estádio do Corinthians na região.

A Zona Leste é uma das regiões mais esquecidas da cidade de São Paulo. É, segundo dados do IBGE e da própria prefeitura, a região mais habitada da capital, contudo, sua carência de investimentos se torna nítida quanto mais se afasta do centro.

E essa falta de investimentos fica clara quando se compara as diferenças de bairros mais bem estruturados e a política de investimentos em transporte coletivo da cidade. Um exemplo clássico, além de muito utilizado pela população de São Paulo, é o Metrô, transporte essencial à cidade e que, na Zona Leste, é carente de investimentos.

A Companhia do Metropolitano, em seu plano de expansão, cria diversas possibilidades nas regiões da Zona Oeste e central, regiões com atendimento satisfatório de transporte público, mas, nas regiões mais afastadas da Zona Leste, por exemplo, a oferta de transporte fica extremamente limitada pela falta de oferta e pela gigantesca procura. Como reflexo, a Linha 3 (Vermelha) do Metrô conta com composições sempre lotadas, com congestionamentos das composições na linha em horário de pico. Esses congestionamentos na linha são constantes e provocam grandes índices de irritabilidade nos passageiros, além de, economicamente, gerar profundos prejuízos à cidade e ao Estado de São Paulo.

E, para o terror dos passageiros, o Expansão Metrô, projeto da companhia, não prevê boas notícias aos usuários do serviço no Metrô, pelo menos em curto prazo. Segundo noticiado pelo jornal O Estado de São Paulo, um dos maiores jornais do país, o Metrô de São Paulo projeta a criação de uma nova linha que atenda aos passageiros da Zona Leste da capital, mas ainda não foram estipulados prazos para seus processos licitatórios, estando ainda em fase de estudos. Segundo a reportagem, a linha a ser criada pelo Metrô deverá ligar o bairro de São Miguel Paulista (um dos maiores e mais afastados bairros da cidade – em relação ao centro) ao bairro do Pari, também na zona leste da cidade, próximo à região do Brás, um conhecido reduto de compras populares. Além deste projeto, o Metrô também prolongou a Linha 2 (verde) até a Vila Prudente, pretendendo estendê-la até São Mateus (ainda segundo a assessoria do Metrô, parte da extensão a São Mateus seria feita por monotrilho – com prazo determinado no plano do Metrô).

Num primeiro momento, essa ligação desafogaria o tráfego de pessoas na linha mais utilizada do complexo do metrô. A criação de estações, ainda que por monotrilhos, ligando a região de São Mateus à Linha 2 (interligada às linhas 1 e 4 do Metrô, respectivamente, azul e amarela) possibilitará o acesso de muitos passageiros à região da Avenida Paulista, grande centro financeiro do país. Muitos passageiros, de fato, poderão acessar a região central sem o uso da Linha Vermelha, gerando, consequentemente, uma redução no número de passageiros nesta linha. Contudo, a demanda também sofrerá aumento, pois a demografia da cidade cresce num ritmo ainda muito grande.

Apesar de toda esta problemática, a região ainda consegue se suster com os investimentos que possui. E, no caso da Zona Leste, os maiores desenvolvimentos concentram-se em bairros como o Tatuapé, Belém, entre outros, que estão mais próximos ao centro da cidade e, ainda, que contam com uma crescente concentração crescente de moradores de classe média e média-alta (sobretudo em locais como o Anália Franco, em que os valores de residências, na grande maioria apartamentos, podem chegar às cifras dos milhões). Nestes bairros, comerciantes, ao ver o potencial econômico latente, investem em bares, casas noturnas e restaurantes sofisticados, e proporcionando à região desenvolvimento econômico e geração de empregos.

Mas, se comparada à região de Itaquera e apesar desses investimentos, a concentração de investimentos ainda é pequena na região, pois os bairros mais periféricos da cidade conseguem obter índices muito pequenos mesmo diante do investimento imobiliário na região. Isso ocorre porque muitos querem, e preferem, moradias em lugares cuja oferta de transporte e comércio esteja em níveis satisfatórios. E, numa análise superficial, a oferta de transporte nos bairros da Zona Leste é escassa ou está defasada, dada a quantidade de pessoas que usam o transporte público oferecido à cidade. E isso ainda fica pior quando se leva em consideração, por exemplo, os serviços de trens da CPTM, pois o sistema trás, em suas vias, milhares de passageiros de diversas cidades da Região Metropolitana. E isso é nítido quando se embarca nas linhas da CPTM que atendem bairros como São Miguel e Itaquera (em ambos, os trens vêm de cidades como Mogi e Suzano); em outras palavras, as composições já estão lotadas de passageiros quando chegam à capital.

Os investimentos ainda necessitam crescer, isto é fato. E não apenas nos transportes. O comércio, uma das forças nas regiões mais distantes do centro, precisa melhorar em diversas questões. Além disso, a instalação de empresas na região seria extremamente positiva, assim como o foi quando o grupo Votorantin lá inseriu a Nitroquímica. Por anos, a fábrica trouxe desenvolvimento à região, mas, pela falta de infra-estrutura da própria localidade, proporcionada pela ausência do poder público, o bairro teve seu potencial diminuído e, a cada ano, os investimentos foram diminuídos.

ESTÁDIO E ESPERANÇAS

Apesar de anos de descaso, as expectativas se renovam com os olhos do mundo em cima da Arena Corinthians. Ainda mais a partir de agora, pois, nesta tarde, por volta das 14h (horário de Brasília), a FIFA anunciou a cidade-sede da abertura da Copa do Mundo de 2014: São Paulo.

O exemplo dos estádios paulistanos traz muitas esperanças à vizinhança do Itaquerão, pois, como se vê nos estádios da cidade, houve atividade econômica crescente nos entornos. O Pacaembu, estádio de administração municipal, é um clássico exemplo dessa realidade. A região, à época, era muito desabitada e, com o planejamento de uma empresa que tinha a posse dos terrenos da região (Companhia City – empresa inglesa), o bairro se tornou um dos modelos de desenvolvimento que podem ser seguidos. O estádio, além de proporcionar atividades aos cidadãos, concedeu uma das mais belas praças à cidade de São Paulo.

Em entrevista ao sítio do G1, Nestor Goulart Reis Filho, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, disse que esse desenvolvimento proporcionado pela instalação de um estádio demanda serviços que, de outra maneira, poderia demorar muito a chegar à região. Ele ainda ressalta que os estádios trouxeram grandes benefícios onde foram construídos, mas, também, surgiram muitos problemas (entre eles, o excesso de pessoas transitando rumo ao estádio; mesmo na véspera, vendedores sem autorização, os camelôs, flanelinhas, etc.).

É óbvio que é impossível comparar as benesses trazidas pela colocação do estádio no local com o Itaquerão. Isso porque são épocas diferentes, assim como também o são as necessidades observadas, cada um em sua época. Afinal, quando o Pacaembu fora construído, a cidade era menos habitada e os desafios do poder público eram ainda muito diferentes dos que possui hoje (entre eles, o crescimento desproporcionado e desigual na cidade, muito presentes na região do bairro de Itaquera, será algo a ser pensado e posto em pauta nas discussões de políticas públicas para amenizar os problemas vividos pelos moradores de lá).

Para os moradores, o desenvolvimento poderá surgir de diversas formas e, de certa maneira começou. Quem anda pela região do Metrô Itaquera, observa que a região já não é a mesma. Além do estádio em processo de construção, a presença de um centro de compras já faz com que as esperanças se renovem. Quando construído, o Shopping Itaquera era questionado por muitos justamente pela falta de poder aquisitivo dos moradores da região de Itaquera. Mas, mesmo assim, os investidores tiveram visão e colocaram lá diversas lojas. Hoje, passados alguns anos, é um dos shoppings mais movimentados da cidade. Outro importante marco para a região é a construção de uma escola técnica. Essa escola, que fica em frente ao futuro estádio e ao lado do metrô, também são vestígios importantes para alimentar a esperança de moradores do bairro.

UM GRANDE DESAFIO: INFRA-ESTRUTURA

De fato, a ZL é um dos campeões de problemas quando o assunto é infra-estrutura. A falta de hospitais, restaurantes e hotéis para receber aos milhares de turistas que virão para São Paulo é um desafio a ser vencido.

Em cidades como São Paulo, uma das mais ricas, além de figurar entre as maiores do mundo, a falta de mecanismos básicos se tornam problemas a serem vencidos até a Copa América, em 2013, se a cidade tem, realmente, o objetivo de fazer com que a capital paulista tenha destaque no cenário internacional.

Embora conhecida, o turismo na cidade é basicamente de negócios, mas esse cenário vem mudando, lentamente, ao longo do tempo. Isso se deu por eventos internacionais na cidade, eventos como SP Fashion Week, Fórmula Indy e Fórmula 1, congressos nacionais e internacionais, entre outros, movimentam a economia turística da cidade, que, além de centro financeiro da América Latina, é a uma das capitais mundiais em cultura e lazer.

Contudo, dada a alta concentração de atrativos turísticos no centro da cidade, isso poderá ser uma pedra para o futuro econômico da Zona Leste. Isso, ainda, pela falta de estrutura no deslocamento entre as vias rodoviárias da cidade. Mesmo durante o mundial, esse transtorno na locomoção deverá ser considerado como uma das prioridades nos planos para a Copa do Mundo.

Considerando a falta de oferta de leitos e atendimentos na ZL, é bem provável que os atendimentos médicos sejam dirigidos a hospitais no centro da capital. No entanto, com a dificuldade de locomoção existente na capital, sobretudo da ZL para o centro, os investimentos deverão contemplar mais hospitais (ou a ampliação do atendimento nos hospitais já instalados na região).

OFERTAS AOS TURISTAS

Ofertas Turísticas | S. PauloEm sua versão na Internet, o jornal Metrô News destaca a falta de ofertas dos restaurantes padrão “A” e “AA”. E, de fato, isso é realidade. E isso ocorre justamente pela renda per capita dos moradores da região de Itaquera, muito embora haja pessoas com renda salarial relativamente alta. Isso mostra outro fator da ZL, a diferença dos preços praticados pelos comércios em toda a cidade. O custo de vida, assim, se torna mais baixo na Zona Leste (comparados os custeios nas demais regiões, entre elas a Zona Sul, onde assistem as classes sociais mais ricas).

Ainda assim, a possibilidade da instalação de hotéis, bares e restaurantes na região e entornos tornam a realidade de desenvolvimento mais plausível. Outro fator que pode ser pensado é a proximidade com o Aeroporto Internacional Franco Montoro (Cumbica). De Itaquera ao aeroporto, pela Avenida Jacu-Pêssego, uma das importantes vias da capital paulista, o turista poderá efetuar o percurso rapidamente pelos bairros próximos a Itaquera. E, para os fins de locomoção entre o aeroporto e a sede em que os jogos ocorrerão, isso será de grande importância.

Desta forma, caberá, sobretudo, à prefeitura o direcionamento dos investimentos, de sorte que eles possam gerar a Itaquera e demais bairros da ZL a infra-estrutura necessária para sediar os jogos da Copa de 2014.

Por
>>>Igor Dias

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