“USPIANOS” DEIXAM PRÉDIO DA REITORIA E SERÃO INDICIADOS POR 3 CRIMES


08/11/2011 | 14h26 | Por Igor Dias
Alunos da FFLCH manifestavam contra ação policial no campus.

Prédio da FFLCH na USP

WHERTER SANTANA | Agência Estado

Alunos da USP, há alguns dias, iniciaram protestos contra a ação policial dentro do campus da universidade. Isso aconteceu quando alunos foram conduzidos à delegacia por serem flagrados usando drogas. Revoltados, muitos alunos iniciaram protestos no mesmo momento da “prisão” dos envolvidos (de acordo com a legislação atual, nenhum usuário pode ser preso por uso de entorpecentes, contudo, isso não exime de o policial conduzir o usuário da droga à delegacia. Lá, eles advertem a pessoa, que assina um termo dizendo ter sido advertido pelo uso das drogas – essas advertências podem ser, inclusive de outras instâncias, como de um juiz).

Desde o ocorrido, alunos ocuparam o prédio administrativo exigindo a renúncia do reitor e a saída dos policiais. Esse entrave é histórico, vindo desde a Ditadura Militar. A polícia, por seus atos à época, ficou proibida de entrar na Cidade Universitária. Somente neste ano, após mais de 25 anos de regime democrático, por problemas na segurança, depois de latrocínio e assaltos, a reitoria decidiu abrir as portas à polícia.

Ainda não se tem ideia do quanto foi perdido pelos atos de vandalismo cometidos pelos alunos da FFLCH, pois somente foi constatado após a ação policial. Os alunos, mesmo com determinação judicial, não desocuparam o prédio ontem à noite. Pela manhã, com a entrada da PM no prédio, foram encontrados em poder dos alunos coquetel Molotv, além de deteriorações no prédio; equipamentos e mobília quebrados, além de paredes pichadas, também fizeram parte do cenário.

Alunos relatam abusos cometidos por policiais. O delegado responsável pela desocupação disse que todos os detidos serão submetidos a exames de corpo de delito. Além disso, o delegado ainda afirma que os estudantes detidos serão indiciados por 3 crimes, entre eles o de depredação de prédio público.

——

OPINIÃO

O protestar por direitos é, de fato, assegurado pela carta magna brasileira, e todos temos o direito de nos manifestar a favor ou contra algo. Contudo, o que temos assistido neste dias não tem nada de manifestação.

As Universidades brasileiras estão virando motivo de escárnio por muitos, que dizem protestar por direitos quando, na verdade, estão destruindo patrimônio público. Isto deixa de ser direito e passa a ser crime. A maior prova vê-se nas imagens obtidas após a desocupação do prédio da USP: pichações nas paredes, mobílias e materiais de escritório quebrados. Tudo isso por quê? Pelo fato de a polícia estar presente no campus? Logicamente, não, pois a polícia apenas cumpriu seu dever, de forma a oferecer a ordem e a segurança dos próprios alunos, que estavam ameaçados pela treva noturna, pelos assaltos e pequenos delitos e pela morte que rondaram o campus da USP no Butantã. Quanto ao motivo dado no início, os alunos detidos não foram presos, pois o uso de drogas, por lei, não mais prevê a prisão. Contudo, os usuários devem ser conduzidos à delegacia para assinar um termo alegando ser usuário de drogas entorpecentes. Em resumo, ele terá advertências neste momento e nos momentos que poderão se seguir após este fichamento na delegacia.

Protestar por direitos sim, mas isso não dá direito a ninguém de depredar ou fazer qualquer coisa que venha causar ônus à riqueza patrimonial pública (já há custos para o Estado o simples fato de ter de enviar tropas aos locais de conflito; e esse ônus aumenta quando os “manifestantes” depredam o bem público). Manifestar é preciso, depredar, jamais.

Concordo, apesar disto, que alguns ali estavam com o intuito de manifestar sua aprovação e desaprovação. Verdade seja dita, aqueles que estavam protestando mostraram seus rostos, ao contrário daqueles que queriam instaurar desordem e “causar” o caos. Afinal, se estamos numa democracia, regulado por um Estado democrático de direito, é cabível que aqueles que protestem o façam mostrando quem são, até porque, com os direitos, há também as responsabilidades de cada ato praticado – infelizmente, todos querem o direito, mas poucos se habilitam aos deveres. E isso se prova quando se vê, entre os achados, o Molotov (seria isto um meio de protestar?!).

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