EM DIAS DE CRISE, NEGOCIAR É A MELHOR ARMA PARA A ECONOMIA


|| Economia
22/11/2011 | 13h28 | Por Igor Dias
Um estudo pioneiro no Brasil mostrou análise de consequências da crise de 2008, e as empresas que negociaram com os sindicatos “se deram bem”.

Crise Econômica grega pode ser sentida na economia global

Em 2008, depois de alguns anos de tranquilidade, a economia global começou a viver um conturbado momento. Tudo começa nos Estados Unidos, com a quebra de bancos pelas “dívidas podres” do setor imobiliário estadunidense. Esse colapso econômico vivenciado pelo maior e mais sólido mercado global começou a se espalhar pelo mundo, fazendo com que diversas economias sofressem um resfriamento econômico. Os mercados dos países desenvolvidos começam a entrar em recessão, tendo perdas assustadoras. E, para diminuir os impactos na economia, os bancos centrais e governos começam a lançar pacotes de socorro à economia.

Apesar deste socorro, os países em crise ainda começaram a experimentar um leve conforto, mas, recentemente, com o anúncio da soma da dívida grega, os mercados passaram a enfrentar novamente os fantasmas da recessão e desemprego. Para se ter ideia, o desemprego nos Estados Unidos é o maior da história, e isto causa reflexos diretos nas economias globalizadas.

Dívida Externa da Grécia e Portugal | Banco Mundial

Ao que parece, muitos não deram atenção às possibilidades e às experiências trazidas pela crise. Isso é interessante, pois os Estados Unidos e diversos países denominados desenvolvidos exigiam dos países sub-desenvolvidos (entre eles, os emergentes em evidência: Brasil, Rússia, Índia e China) medidas austeras para que suas dívidas ficassem sob controle. Irônico ou não, hoje, o Brasil é um dos maiores referenciais quando o assunto é controle dos gastos públicos, e, em simpósios e encontros de cúpula, passa a exigir as medidas de austeridade às economias em crise. E isso justamente daqueles que exigiram tais medidas no passado: Estados Unidos, União Europeia; além disso, o país tupiniquim é solicitado para ajudar financeiramente por importantes representantes desses países.

Mas o que fez do Brasil um país tão importante neste momento de crise? Ao se analisar a história econômica do país, percebe-se, pela experiência, que o país é, sem dúvida, um país ímpar neste processo de tentativa de solução à crise atual.

Há anos, o país obteve o controle da inflação. Antes era impensável, pois as cifras astronômicas eram superiores, inclusive, aos 200%. Outro dado importante, é que o Real, uma das fortes moedas do mundo, vigora desde 1994, ou seja, são 17 anos que o país vive com a mesma moeda (pode parecer pouco, mas não o é, pois o Brasil, ao longo de sua história, teve diversas moedas com o objetivo de controle inflacionário). Além desses fatores, são 17 anos de controle inflacionário, com criação de empregos e desenvolvimento econômico (o país não vivia isto desde o Milagre Brasileiro, episódio histórico em que a economia acompanhava o crescimento de países desenvolvidos, com cifras que giravam em torno dos 10% a.a. Somente em 2010, o Brasil cresceu 7,5%, em contrapartida, os Estados Unidos 4%).

Recentemente, pesquisadores alemães, em parceria com o Prof. José Pastore (USP), perceberam que a negociação é a chave para não mergulhar ainda mais na crise. O estudo analisou empresas e indústrias em 2008, chegando à constatação de que as empresas e indústrias que conseguiram negociar com sindicatos “se deram bem”, pois obtiveram bons resultados.

É fato que nenhum dos lados quer perder, mas nem sempre essa disputa deve ser levada a ferro e fogo segundo o estudo. No Brasil, os custos com demissão e readmissão ficam muito altos às empresas.

Uma empresa no Paraná, por exemplo, negociou com os sindicalistas, cancelou os contratos de mil funcionários por 5 meses. Com isso, a montadora conseguiu diminuir suas despesas, e quando o pior cenário da crise passou, as vendas, proporcionadas por políticas de renúncia fiscal (redução de IPI), melhoraram. Resultado, passados três meses do tempo acordado com os Sindicatos, a empresa pôde recolocar seus funcionários à ativa, 2 meses antes do previsto.

“O que se nota é que as empresas que negociaram, elas preservaram quase todo o seu quadro e se não tivesse negociado, ela teria dispensando 20 ou 30% do seu quadro no mínimo”, diz José Pastore, professor da FEA-USP, em entrevista ao Jornal da Globo.

Já as empresas que não conseguiram êxito na negociação, experimentaram uma perda significativa no quadro de funcionários, além de ter sido obrigada pela circunstância a parar sua produção por dar férias coletivas.

Embora isso não pareça ter relação alguma com o cenário macro-econômico, os reflexos são imediatos. Com o desemprego, a economia deixa de rodar (ou roda mais lentamente). Conquentemente, há o resfriamento econômico. É isso o que ocorre nas economias mundiais hoje. O desemprego recorde nos Estados Unidos, entre outros fatores externos ao mercado estadunidense, corrobora para a desaceleração da economia mundial. Isso porque muitas indústrias, além dos governos, não estão conseguindo gerir a nova crise econômica global. E, talvez, a solução não esteja apenas nas medidas governamentais de austeridade, mas também na negociação entre empresas e sindicatos, visando o menor impacto possível nas economias desenvolvidas que estão à beira de um colapso.

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2 pensamentos sobre “EM DIAS DE CRISE, NEGOCIAR É A MELHOR ARMA PARA A ECONOMIA

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