PROFESSORES BRASILEIROS ESTÃO ENTRE OS MAIS MAL PAGOS DO MUNDO


|| EDUCAÇÃO | Prévia |
04/01/2012 – às 21h59 | Por Igor Dias
Salários baixos, desinteresse cultural pelo conhecimento e rotina cansativa fazem professores se sentirem desvalorizados. Como consequência, o ensino brasileiro está longe do que é entendido como ideal

Educação no Brasil

Que a Educação brasileira está um caos, todos já sabem. Contudo, pouco se sabe sobre a real situação do ensino brasileiro, sobretudo nos institutos de educação do setor público. É frequente a reivindicação de professores pela melhoria de condições, porém a omissão do Estado é cada vez mais latente. Professores inseguros em exercer sua profissão por não terem o mínimo de valorização dentro da sociedade, baixos salários, a ausência do Estado em garantir a segurança à integridade física e psicológica do profissional estão entre as principais causas de afastamento dos docentes.

Estressados, professores de todos os cantos do país enfrentam mais do que um problema gerado pelos baixos salários. Alunos desmotivados, profissionais desvalorizados, ausência de muitos diretores, violência nos entornos e dentro das escolas. Esses são apenas alguns dos desafios a serem enfrentados pelos professores brasileiros. Mas isso não acaba por aí. A procura por cursos superiores voltados à educação está tendo uma queda brusca. Há Instituições em que os cursos de licenciatura não existem mais, dada a falta de alunos matriculados nestes cursos.

Mas o que causa essa ausência em cursos superiores voltados à educação? Entre outros fatores, os baixos salários figuram entre as principais causas. No Brasil, os professores estão entre as classes profissionais mais mal pagas. A média salarial de um professor é baixíssima. Tanto é que o Governo Federal está tentando adequar um valor para adotar como base. Em São Paulo, por exemplo, o piso salarial de um professor de educação básica que leciona no Ensino Fundamental ciclo II (ou seja, que lecionam para alunos do 6º ao 9º ano) é de R$ 9,28 (nove reais e vinte e oito centavos) por hora aula Quando o assunto é Ensino Médio, o valor do piso vai para R$ 10,33. (Valores praticados para os anos 2010/2011. Fonte: Sindipro – Sindicato dos Professores do Estado de SP).

Valor h/a

Aulas/semana

Valor Total/semana

R$ 9,28

30

R$ 278,40

R$ 10,33

30

R$ 309,90

Fonte: Sindpro

Só para se entender melhor, o salário de um professor é composto pelas horas trabalhadas na escola. Assim, ele receberá de acordo com a quantidade de aulas que der. Contudo, para que este valor não fique muito abaixo, outros componentes foram incorporados ao salário, conforme a cláusula nona da Convenção Coletiva de Trabalho da Educação Básica.

O salário mensal do professor é composto, no mínimo, por três itens: o salário base, o descanso semanal remunerado (DSR) e a hora-atividade. O salário base é calculado pela seguinte equação: número de aulas semanais multiplicado por 4,5 semanas e multiplicado, ainda, pelo valor da hora-aula (artigo 320, parágrafo 1º, da CLT). A hora-atividade corresponde a 5% do salário base. O DSR corresponde a 1/6 (um sexto) do salário base, acrescido da hora-atividade e, ainda acrescido do total de horas extras, do adicional noturno, do adicional por tempo de serviço e da gratificação de função (Lei 605/49).

Parágrafo único – No salário base do PROFESSOR mensalista que ministra aula em curso de educação infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental já está incluído o descanso semanal remunerado (DSR).

Cláusula 9 da Convenção Coletiva de Trabalho – Sindpro

Se comparado a outras profissões, o salário de um professor chega a ser, dependendo da região, 50% inferior à média dos demais profissionais com formação superior. No Piauí, por exemplo, a remuneração dada ao professor equivale a 18% do salário de um engenheiro mecânico.

Num estudo do MEC, divulgado em outubro de 2003, é nítida essa diferença entre os salários. A média salarial de um médico chega a mais de R$ 4 mil (região norte), enquanto a de um professor do Ensino Médio, no Brasil, é de R$ 866. Na mesma região, essa média chega a R$ 826 (inferior à média nacional). Nem mesmo a região sudeste, que tem a melhor média salarial para professores do Ensino Médio (R$ 979), consegue chegar perto do índice observado para médicos.

UNESCO

Um estudo da Unesco está mostrando que a desvalorização do professor por seus empregadores é extravagante. Neste estudo, o Brasil aparece em 3º lugar num ranking de 40 países que pior remuneram seus professores, tendo à sua frente apenas Peru (2º colocado) e Indonésia. Até mesmo a Argentina, país vizinho e com uma economia mais instável, aparece com médias salariais mais altas se comparadas às brasileiras.

DESAFIOS

De fato, esse é um dos maiores desafios a serem vencidos, pois, com profissionais mal pagos, os reflexos são diretos e indiretos.

Um professor tem, em média, de ter um salário que possibilite, além de sustento próprio, condições dignas de vivência, o que não se vê. Infelizmente, não é o que se vê. Obrigado a trabalhar, muitas vezes, em três turnos (iniciados às 7h e terminados às 23h), os professores brasileiros acabam ficando sem tempo para outras atividades.

Lazer nem sempre faz parte da rotina do professor, fadado a horas de trabalho dentro de sua residência com o preparo de aulas, além das correções, planejamentos que deve efetuar para a aula a ser por ele ministrada e a própria explanação da aula. Com isso, sobra pouco tempo para o profissional se aprimorar e ampliar seu conhecimento, coisa que sempre lhe é exigida.

Talvez o maior desafio de todos seja a valorização do professor e de seu papel na sociedade brasileira. Recentemente, propagandas do MEC começaram a ser veiculadas pela TV. Nelas, pessoas de diversos países realçando a importância de seus docentes no contexto de desenvolvimento econômico e cultural. Mas, ao que parece, essa propaganda ainda não surtiu o efeito esperado, pois é comum os jornais estamparem a agressão de professores por seus alunos.


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