SUS NA UTI


|| SAÚDE
02/03/2012 | 04h15 | Por Igor Dias
Avaliação dos serviços prestados pelo SUS tem avaliação negativa segundo brasileiros. A pior situação está na segunda maior e mais rica cidade do país, o Rio de Janeiro.

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha

Que a saúde pública brasileira é caótica, isto todo mundo já sabe. Mas, apesar disto, o Ministério da Saúde divulgou esta semana um índice que avalia os serviços e o acesso à saúde pública no país. Neste estudo, levou-se em consideração os diferentes níveis de atenção dados aos pacientes (básica, especializada ambulatorial e hospitalar e de urgência e emergência), a infraestrutura ofertada pelas instituições de saúde dentro das cidades e os serviços diversos proporcionados pela estrutura do sistema de saúde.

E, para a surpresa de alguns, o índice mostra, ainda que de maneira atenuada, a situação caótica pela qual milhões de brasileiros passam diariamente. Segundo o Ministério da Saúde, este índice servirá como maneira de gerar políticas que melhorem todo o sistema de saúde no país, já que o estudo leva em consideração a situação dos diversos hospitais e institutos de saúde geridos ou que recebem a verba do SUS.

“Além de dar maior transparência ao quadro geral da oferta e da situação dos serviços de saúde, o IDSUS 2012 servirá como instrumento de monitoramento e avaliação para que os dirigentes dos três níveis – federal, estadual e municipal – tomem decisões em favor do aprimoramento das ações de saúde pública no país”, disse o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Essa avaliação mostra que a qualidade e eficiência, aliadas às dificuldades de acesso da população podem e são vilões para os administradores da saúde brasileira. Mesmo com serviços de ponta, com qualidade inquestionável, o RJ teve a pior nota entre as capitais brasileiras. Isso porque o acesso a esses serviços está bem longe do ideal.

Entre os estados, Santa Catarina aparece entre em primeiro lugar, com um índice inferior ao que o governo considera como satisfatório, chegando à nota de 6,29. O Pará, por sua vez, ficou com o pior índice, com nota 4,17. O estado mais rico, São Paulo, mesmo com práticas políticas visando a melhoria do acesso à saúde, ficou em sétimo lugar (5,77), atrás de Tocantins (6º lugar – 5,78), Espírito Santo (5º – 5,79), Minas Gerais (4º – 5,87), Rio Grande do Sul (3º lugar – 5,9) e Paraná (2º lugar – 6,23).

Entre as capitais brasileiras, as posições não se alteram muito. A Cidade de São Paulo alcançou 6,21 pontos, ficando em 7º lugar. A melhor situação, segundo o índice do governo, ficou com Vitória, cuja nota foi 7,08, única capital do país com índice superior a 7. O Rio, em contrapartida à situação observada em Vitória, teve a pior avaliação entre as capitais brasileiras, com índice de 4,33, conferindo o último lugar no ranking.

SUS na UTI

A avaliação dada pelos brasileiros é bem diferente dos índices observados pelos brasileiros que fazem uso do SUS. Pela lei brasileira, o SUS é um sistema integrado de saúde que deve dar suporte à saúde aos brasileiros, independentemente de suas possibilidades e recursos. Assim, mesmo quem paga por serviços médicos, como é o caso, por exemplo, de pessoas pagantes de planos de saúde, tem direito aos serviços oferecidos pelo SUS. Contudo, dada a situação vexatória observada nas filas de diversos hospitais de administração pública, o número de brasileiros que optam por pagar planos de saúde cresce anualmente.

Além disto, o sistema público mostra-se ineficaz e ineficiente porque não consegue atender, de maneira satisfatória, àqueles que buscam ter saciadas suas necessidades. E isso se vê traduzido em corredores e leitos lotados (e, em alguns casos, os corredores estão lotados não porque os pacientes estão à espera de atendimento, pois estão internados, mas, pela falta de leitos nas UTIs, são deixados nesses corredores até que possam ser realocados em quartos), serviços de péssima qualidade, problemas para se agendar consultas com médicos especializados, entre outros problemas.

Não é raro ver pessoas com expressões de dor nos diversos hospitais com administrações públicas no país. E, ao serem questionados quanto à qualidade do atendimento prestado, são categóricos: 0 (zero). Essa é a nota dada pela maioria dos brasileiros que usam o sistema de saúde brasileiro.

Fato é que a situação da saúde no país é bem crítica, independente de índices e avaliações. E isso está se refletindo até mesmo no setor particular, com os planos de saúde, que começam a oferecer serviços com qualidade inferior a existente há cerca de uma década.

Essa situação vivida pelos brasileiros é um tanto controversa se analisada com o discurso do Ministério da Saúde e as ações do Governo, que, há alguns dias, noticiou corte no orçamento para o ano de 2012. E, pasme, o maior corte orçamentário foi justamente o do Ministério da Saúde. Com um corte de quase R$ 6 bilhões de seu orçamento, é de se esperar que os administradores do SUS, incluindo o próprio Ministério da Saúde, tenham, no mínimo, um plano B para tentar amenizar os “desafios” da saúde pública no Brasil. Afinal, com um corte de tamanha proporção, não há de se esperar por milagres, visto que o problema existe e o orçamento esperado para combater os problemas é menor. E, segundo o ministro, as cidades que mais se destacarem na melhora das situações poderão receber incentivos financeiros.

Como funciona o SUS

O SUS é um sistema integrado de saúde pública. Diferentemente de outros países em que o cidadão opta apenas pelo acesso pelo seguro social (como é o caso, por exemplo, dos Estados Unidos), o sistema de saúde brasileiro é um tanto pluralizado, analisando-se sua forma complexa de gestão.

Ocorre que, no Brasil, além do sistema particular existe o sistema público, do qual todo brasileiro pode ter acesso. Esses hospitais públicos, na grande maioria institutos administrados pelas prefeituras, recebem uma verba para sua gestão. Essa verba, por sua vez, é passada pelo Ministério da Saúde às secretarias estaduais de saúde, que gerem o repasse às cidades e aos hospitais de administração do poder público estadual. Essas cidades, ao receberem o repasse pela secretaria de saúde, financiam os salários da mão-de-obra e a manutenção da estrutura física do hospital e de seus equipamentos (em outras palavras, de toda a infraestrutura hospitalar).

Além dos hospitais administrados pelas prefeituras e pelos governos estaduais, há ainda os hospitais filantropos e hospitais particulares que reservam uma cota de atendimento à saúde ao público. Essas unidades também recebem financiamento do SUS para atendimento ao grande público. E, desta forma, são obrigados a oferecer todos os serviços cobertos pelo SUS, quer seja de baixa ou alta complexidade.

Além disso, o SUS também possui uma verba destinada a medicamentos diversos cujo acesso, pelo alto preço desses remédios, se torna difícil. Medicamentos para o tratamento de doenças raras, os coquetéis para o tratamento da Síndrome da Imunodeficiência Adquiria (Aids), entre outros, podem ser conseguidos pelos cidadãos que não têm condições de pagar pelo medicamento, desde que comprovada a necessidade do uso do medicamento. Neste caso, o paciente pode ou não fazer uso do SUS, ou seja, o cidadão pode pagar um plano de saúde, mas, ao se comprovar a necessidade do medicamento e sua incapacidade de poder compra-lo, ele poderá desfrutar deste direito. Para tal, na grande maioria dos casos, os pacientes só têm acesso a esse serviço pelas vias judiciais, devendo apelar no judiciário para ter seu tratamento pago pelo SUS.

Quer saber mais? apresentacao_idsus

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