SUSTENTÁVEL?!


|| ESPECIAL: SUSTENTABILIDADE
21/06/2012 às 13h26 | Por Igor Dias
Entre as principais práticas sustentáveis, a adoção de meios de transporte com tecnologia limpa estão em testes em algumas cidades.

É extremamente interessante a maneira como todo mundo fala a respeito das práticas sustentáveis de desenvolvimento. Contudo, as práticas desenvolvidas pelos diversos governos ainda são muito aquém do que deveriam ser. A alta emissão de gases poluentes, as elevadas quantidades de produção de materiais e resíduos de difícil absorção pelo meio-ambiente, a falta de políticas públicas efetivas para o combate de descarte indevido, entre outras, são barreiras quase instransponíveis a certos governos.

Isso tudo tem sido alvo de discussão no Brasil e no mundo, sobretudo durante esta semana, em que o país é palco de um encontro mundial organizado pela ONU (Organização das Nações Unidas), cuja cidade sede é o Rio de Janeiro. Mas, analisando os diversos aspectos e pontos da discussão, aliados às práticas adotadas, sem esquecer, claro, dos encontros anteriores (entre eles o ECO-92, também realizado no Brasil, e os protocolos, como o de Kyoto), pouco se fez ou alcançou. Infelizmente, esses encontros não lograram grandes feitos nem mesmo nos aspectos culturais das diversas sociedades do mundo.

As práticas de desenvolvimento adotadas por alguns países pioram a situação a cada dia. Segundo uma cartilha editada pelo INPE, seriam necessários, de acordo com as taxas de emissão de poluentes (leia-se emissão de gases e demais práticas não-sustentáveis), mais de cinco planetas para suportar os impactos causados pela América do Norte. Analisando isoladamente as emissões dos Estados Unidos, haveria a necessidade de 5,33 planetas. A Europa, por sua vez, 2,66 planetas; Ásia Oriental e Oceania 0,72; África 0,61; América Latina 1,11, com destaque para o Brasil (1,16 planeta). Em outras palavras, levando em consideração todos esses dados, somando-os, seriam necessários 10,32 planetas para que suportassem a quantidade de gases e demais meios poluentes lançados no meio-ambiente.

Um dos principais impactos das mudanças ambientais globais é o aumento da frequência e da intensidade de fenômenos extremos, que quando atingem áreas ou regiões habitadas pelo homem, causam danos (RIO+20 – Apostila do INPE). O interessante em todo este contexto, é que os reflexos já são latentes. No Brasil, por exemplo, as constantes inundações, das quais, 40% localizadas no sudeste brasileiro, afetam a qualidade de vida de milhões de pessoas.

PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS

As práticas de desenvolvimento sustentável são pouco recebidas por diversos governos, entre eles, um governo sempre relutante e que, agora, tem tentado se mostrar menos poluidor, é o dos Estados Unidos, um dos maiores emissores de poluentes do planeta. Mesmo o governo brasileiro pouco o faz.

E isso se observa nas diversas cidades do país. São Paulo, maior e mais rica cidade da América Latina, as ações ainda são muito distantes do ideal. É fato que as intervenções públicas estão maiores do que noutros tempos, mas nada de espetacular. E, ainda assim, grande parte dessas ações é originada pela prefeitura do município. Entre elas, o aumento no número de ciclovias, recurso ainda deficitário, vem causando algum impacto positivo dentro da cidade, acostumada a ter diversos problemas relacionados ao trânsito de seus munícipes.

Ainda no que diz respeito ao trânsito da capital paulista, as ciclofaixas estão, de alguma maneira, se tornando um meio de aumentar a qualidade de vida dos moradores da cidade. Porém, elas ainda não são tão presentes ao cotidiano da megalópole paulista, pois seu funcionamento se dá apenas aos domingos. Fato é que os paulistanos sofrem cada vez mais pela ausência do poder público, que pouco disponibiliza meios de transporte com tecnologia de baixo impacto ambiental.

Ainda em São Paulo, segundo dados da SPtrans, empresa responsável por administrar o transporte público rodoviário municipal, a Prefeitura vem investindo em tecnologias pouco poluentes, tendo inserido dentro da malha urbana diversos veículos movidos a combustíveis limpos (mais conhecidos como não-fósseis). Há, ainda, testes sendo realizados em veículos com motores elétricos (tecnologia adotada, por exemplo, pelos trólebus, por veículos movidos a hidrogênio, entre outros).

MEIOS SUSTENTÁVEIS

No que concerne a transporte, a adoção de veículos com motores movidos a combustíveis pouco ou não-poluentes seriam ideias, ao menos, para amenizar as emissões de gás carbônico na atmosfera. Carros movidos a etanol é uma boa saída, embora existam veículos cujo índice de emissão de gases é zero. Esse é o caso de automóveis movidos à energia elétrica, uma solução ainda muito salgada para o mercado brasileiro.

Há, também, a adoção de políticas de incentivo ao uso de veículos sem motor, como as bicicletas. Com essa medida, além de impactos positivos no meio-ambiente, também existe o ganho com saúde pública, porque a pessoa ainda começa um processo de condicionamento físico, saindo da vida sedentária, muito comum nos grandes centros urbanos.

Isso sem falar no transporte público, que pode ter índices aceitáveis de emissões de CO2. Como se sabe, os meios de transportes oferecidos pelo estado, no Brasil, são, basicamente, movidos a combustível fóssil. O metrô, veículo movido por energia elétrica, por ser caro, não é adotado em grande parte dos municípios brasileiros.

CICLOVIAS

As ciclovias também seria uma prática interessante, mas o investimento é caro para algumas cidades que sofrem com o crescimento desordenado. É o caso, por exemplo, de São Paulo, cujo espaço para a criação de ciclovias é insuficiente, embora sua necessidade seja extrema.

Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, as bicicletas são meios de transporte. E, como tal, se submete às leis brasileiras de trânsito. Mas se engana aqueles que pensam que somente elas têm deveres. Isso porque o sistema jurídico brasileiro entende que o ciclista é hipossuficiente. Isso, em outras palavras, quer dizer que os motoristas de carros e motos devem zelar pela segurança do ciclista.

Porém, no cenário urbano do trânsito brasileiro, nem sempre isso se presencia. É constante as notícias em que ciclistas são atropelados por motos e carros dentro das grandes cidades. Recentemente, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), empresa da Prefeitura de São Paulo responsável por administrar o trânsito dentro da capital paulista, multou diversos motociclistas justamente por não respeitarem aos ciclistas. Pelo código, o ciclista, caso não existam ciclovias nas cidades, deverá transitar pelas vias públicas.

E numa cidade como São Paulo, essa relação vive por um fio, já que a maioria dos motoristas da cidade não está acostumada a dividir espaço com os ciclistas. Todavia, essa realidade vem crescendo dada a precária oferta de transporte oferecida pela administração pública e, ainda, aos altíssimos índices de congestionamento vividos pelos motoristas da cidade. Isso, ainda que indiretamente, vem contribuindo para a diminuição dos gases causadores do efeito estufa.

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